Café fecha com leves altas e mercado brasileiro monitora clima e exportações

![]()
O mercado do café encerrou a segunda-feira (13) com leves altas nas bolsas internacionais, em um movimento sustentado por fundamentos diretamente ligados ao Brasil. A valorização foi limitada, mas suficiente para manter suporte às cotações diante de incertezas sobre oferta e ritmo de comercialização.
Na Bolsa de Nova York, o arábica avançou de forma contida. O contrato maio/2026 fechou a 300,85 cents/lb, alta de 75 pontos. O julho/2026 terminou a 296,25 cents/lb, com ganho de 35 pontos. Já o setembro/2026 encerrou a 281,80 cents/lb, subindo 70 pontos.
Em Londres, o robusta acompanhou o movimento. O maio/2026 fechou a US$ 3.351 por tonelada, alta de 27 pontos. O julho/2026 avançou 15 pontos, a US$ 3.254. O setembro/2026 subiu 14 pontos, para US$ 3.193 por tonelada.
O suporte veio principalmente das condições climáticas no Brasil. A persistência de tempo mais seco em áreas produtoras mantém atenção sobre o desenvolvimento final da safra e reduz a pressão vendedora no curto prazo. Ao mesmo tempo, a valorização do real frente ao dólar diminui o estímulo às exportações, fator que tende a restringir a oferta externa.
Na avaliação do analista Marcelo Moreira, o comportamento recente das cotações indica um alívio técnico após quedas anteriores, sem mudança estrutural no cenário. O mercado segue dependente da confirmação do tamanho da safra brasileira, da evolução climática e do comportamento do fluxo exportador.
As exportações também entraram no radar dos operadores. Dados do Cecafé mostram que o Brasil embarcou 3,04 milhões de sacas em março, queda de 8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. A redução sinaliza oferta mais ajustada no curto prazo e ajuda a explicar o suporte às cotações observado nas bolsas.
Mesmo com o recuo mensal, a demanda internacional segue ativa, e o mercado observa se a entrada da nova safra brasileira poderá elevar novamente o volume exportado. Esse equilíbrio entre oferta ainda restrita e expectativa de maior disponibilidade limita movimentos mais fortes.
O fechamento do dia, portanto, reflete um mercado sustentado por fundamentos brasileiros: clima mais seco, câmbio favorável às cotações e exportações menores. Ao mesmo tempo, a proximidade da colheita impede avanços mais expressivos, mantendo o produtor diante de um cenário de volatilidade e exigindo atenção estratégica na comercialização.